Por que o Yoga é a meditação? O yoga é meditação pois só se pode meditar com o corpo, a mente é corpo e a intenção de fazer esses tipos de prática é uma, achar uma resposta a um tipo de ansiedade, dúvida ou questionamento, como o exemplo clássico da pergunta “quem sou eu?”, pergunta essa que envolve corpo no mundo em todas as suas faculdades, racional, emocional, religiosa, artística, sensorial, relacional, etc,. Para entender melhor antes é preciso seguir alguns pontos. É usual pensar o yoga associado com as conhecidas posições contorcidas as vezes de alongamento, outras vezes de cabeça para baixo, porém essa relação é mais atual do que pode-se pensar. Devemos pensar que o yoga e a meditação que entendemos hoje tem uma grande influência do colonizador em seu esforço para entender as práticas religiosas que aconteciam no local colonizado, o vocabulário e forma de entendimento passam pelo filtro colonizador, e do lado colonizado grupos que detinham poder assumem interesses, vocabulário do colonizador para sobreviver. Ou seja, o que sabemos sobre yoga e meditação passa por todos esse conjunto de influencias mutuas, interesses políticos, culturais, raciais, imperialistas, religiosos, sobrevivência, e mais influências incontáveis do grupo que consegue contar a história.
A cada encontro entre cultuas o yoga e a meditação vão sendo influenciadas, não é tarefa fácil saber de todas as modificações e adaptações ao longo de invasões, as ultimas foram as europeias de portugueses, holandeses, franceses e, por último, os britânicos até 1947. O yoga postural moderno que conhecemos hoje tem grande influência nessas últimas invasões. Entretanto é possível que as práticas religiosas antes da era de Cristo, eram de acesso a divindades com ajuda de sacrifícios, mantras, arte, em um mundo em que há alma, ou seja, os objetos e elementos da natureza que existem tem uma essência, algo que os anima, é ver a tempestade como uma entidade com história, desejos e falhas. O que podemos chamar de yoga seria uma prática religiosa de grupos periféricos, entidades como Shiva faziam parte dessas religiosidades não hegemônicas, vistas como selvagem e perigosas. Yoga envolvia praticas não comuns para o grupo dominante dos vedas, assim com suas divindades.
Aos poucos essas práticas foram incorporadas ao panteão principal e Shiva é um dos grandes pilares da cultura hindu, o yoga e meditação são a mesma coisa ao tratarem de práticas religiosas para acessar fins como, aproximação de divindades, poderes sobre o corpo, estados de totalidade ou de esvaziamento. Hoje em dia há uma tendência em separar o que ocorre no corpo com o que ocorre na mente, um dos motivos para ver essa diferença entre yoga e meditação, da mesma forma que há um interesse em ver o yoga/meditação cada vez mais afastados da religiosidade, essa é uma modificação do encontro das práticas religiosas da Índia com a tentativa da ciência de explicar e achar respostas racionais para o mundo, uma sobrevalorização do racional sobre as outras faculdades do ser humano. Então, a depender de como deseja-se olhar e interpretar o mundo, pode-se dizer que o corpo não é a mente, e as posições não tem a ver com a meditação – ou – que a mente é uma criação do corpo e que só é possível meditar com um corpo, e que a meditação de hoje não é a mesma de ontem, pois hoje as pessoas tem a religiosidade diferente de ontem, assim como o entendimento do corpo, mente, desejos e medos.