O amor próprio como disfarce

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Seria o amor próprio como um disfarce? A versão melhor de si mesmo nos faz vermos a nós mesmo como empreendimentos. Ou seja, como algo a ser investido, aprimorado, desenvolvido. Todas características desejadas pelo mercado de trabalho e mundo com bases na competição, a melhor versão de si se sobressai a versão das outras pessoas.

Mais rico, mais bonito, mais capaz. Ao invés de colaboração, há comparação e competição. Dados esses expressos em números a partir de 2010 pela rede social e câmeras nos celulares a depressão das meninas adolescentes cresce sem precedentes. Onde o existir, o ócio, o cansaço, o contemplar, fazer uma coisa de cada vez – são cada vez vistos com menor valor.

Gerando sujeitos cada vez mais cansados e sempre a dever, sempre a dever o próximo patamar, o próximo curso, a próxima harmonização, a próxima dieta. Sempre sujeitos seguindo o imperativo da melhor versão de si. Onde não se pode viver de outra forma, a não ser essa de desenvolver-se até a morte. Do imperativo da felicidade, se posso ser feliz – tenho o dever de ser feliz. Tudo isso traduz-se em prisões, pressões, depressões e ansiedades.